Fábio, goleiro do Fluminense, tornou-se em 7 de abril de 2026 o jogador mais velho da história da Copa Libertadores ao entrar em campo com 45 anos — um feito que levanta perguntas sérias sobre o que a medicina esportiva pode ensinar a todos nós sobre longevidade física.
Um recorde que desafia a biologia
No dia 7 de abril de 2026, o goleiro Fábio Deivson Lopes Maciel, do Fluminense, escreveu mais um capítulo histórico: tornou-se o atleta mais velho a disputar uma partida oficial da Copa Libertadores. Com 45 anos e seis meses, ele superou um feito que nenhum outro jogador havia alcançado na competição continental mais importante da América do Sul.
Mas esse não é o primeiro — nem o maior — de seus recordes. Em agosto de 2025, Fábio se tornou o jogador com mais partidas disputadas na história do futebol mundial, ultrapassando o inglês Peter Shilton com 1.391 jogos oficiais. Agora, em 2026, ainda em atividade e com contrato renovado com o Fluminense até o fim de 2027, ele caminha para se tornar o primeiro atleta profissional a jogar aos 46 anos.
O que a medicina tem a dizer sobre isso?
O corpo de um atleta de 45 anos: o que muda e o que pode ser gerenciado
A partir dos 35 anos, o corpo humano passa por um processo gradual de sarcopenia — perda de massa muscular —, redução da capacidade aeróbica e maior tempo de recuperação após esforços físicos intensos. Em termos gerais, segundo publicações do Conselho Federal de Medicina (CFM), atletas de elite começam a sentir declínio funcional mensurável entre os 35 e 40 anos.
Mas "declínio" não significa incapacidade. O que diferencia atletas como Fábio de praticantes comuns é a combinação de três fatores que a medicina esportiva identifica como decisivos:
- Adaptação fisiológica de longo prazo: décadas de treino específico criam adaptações musculares e cardiovasculares que retardam o processo natural de envelhecimento esportivo
- Acompanhamento médico contínuo: exames periódicos cardíacos, ortopédicos e hormonais permitem ajustar carga de treino e prevenir lesões antes que elas ocorram
- Recuperação ativa e sono de qualidade: protocolos modernos de fisioterapia preventiva e controle do sono são parte integrante do plano de treino de atletas veteranos de alto rendimento
Para o atleta amador ou o praticante de esportes recreativos acima dos 40 anos, a lição é a mesma: o que mantém Fábio em campo não é genética excepcional — é acompanhamento especializado.
Quando buscar um médico do esporte: os sinais que não devem ser ignorados
A medicina esportiva não é exclusividade de profissionais de elite. Qualquer pessoa que pratique esportes regularmente — corrida, natação, futebol amador, ciclismo — pode (e deve) ter acompanhamento de um especialista. Os sinais de alerta que indicam necessidade de consulta imediata incluem:
- Dor persistente nas articulações (joelhos, quadril, tornozelos) que dura mais de 72 horas após o esforço
- Fadiga anormal — sensação de esgotamento desproporcional ao esforço realizado
- Alterações no ritmo cardíaco durante ou após o exercício
- Redução súbita de desempenho sem causa aparente (peso, sono, estresse)
- Histórico de lesão em região específica que não foi avaliada por especialista
Segundo dados do Ministério da Saúde, lesões musculoesqueléticas relacionadas à prática esportiva estão entre as principais causas de atendimento de urgência em adultos entre 30 e 50 anos no Brasil. A maior parte dessas lesões é prevenível com exames periódicos e ajuste de treino.
O que um médico do esporte faz — e que vai além de tratar lesões
Um equívoco comum é buscar o médico esportivo somente depois que a lesão aconteceu. A especialidade tem foco preventivo:
- Avaliação cardiológica pré-participação: obrigatória para quem pratica esportes de intensidade moderada a alta, especialmente após os 40 anos. O eletrocardiograma e o teste ergométrico detectam riscos de arritmias e eventos cardíacos durante o esforço
- Composição corporal e nutrição esportiva: avaliação de massa magra, gordura e hidratação para ajustar dieta e suplementação de forma segura
- Análise biomecânica: verificação da postura e padrão de movimento para prevenir lesões por sobrecarga repetitiva
- Prescrição de treino individualizada: carga, volume e descanso ajustados à faixa etária e ao histórico do paciente
Para quem retoma a prática esportiva após período de inatividade — o chamado "atleta de fim de semana" —, a consulta com médico esportivo antes de iniciar é especialmente importante. O risco de lesões é significativamente maior na retomada do que na prática contínua, independentemente da idade.
Fábio aos 45: inspiração ou exceção?
Quando Fábio entra em campo contra times sul-americanos e defende chutes com a mesma consistência de um atleta 20 anos mais jovem, é tentador concluir que ele é simplesmente um caso à parte — um talento biológico irrepetível.
Mas os especialistas em medicina esportiva apontam em outra direção: a longevidade de Fábio é resultado de décadas de disciplina preventiva — não de sorte genética. Especialistas em medicina do esporte destacam que atletas veteranos de alto rendimento seguem protocolos rigorosos de exames periódicos, fisioterapia preventiva e nutrição ajustada, o que permite que o corpo humano mantenha performance muito além do que a percepção popular supõe.
Você não precisa ser goleiro profissional para se beneficiar desse mesmo cuidado. A medicina esportiva está disponível para qualquer pessoa que queira praticar esportes com mais segurança, mais longevidade e menos risco de lesões.
Para encontrar um médico especializado em medicina do esporte e iniciar seu acompanhamento preventivo, a plataforma Expert Zoom conecta você a profissionais qualificados. Veja também como a medicina esportiva está transformando carreiras no futebol brasileiro: Seleção Feminina goleia na FIFA Series 2026: o que os especialistas dizem.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico especializado em medicina esportiva.
