Dublin agora é mais acessível para brasileiros: o que a isenção de visto com a Irlanda significa para quem quer trabalhar lá

Parlamento irlandês e Banco da Irlanda em Dublin, patrimônio histórico

Photo : Kenneth Gallery Smyth / Wikimedia

Joao Joao SouzaAdvocacia
4 min de leitura 24 de maio de 2026

Em março de 2026, o Brasil e a Irlanda formalizaram um acordo bilateral de isenção de vistos por meio da Portaria Interministerial nº 18/2026. Com isso, cidadãos brasileiros passaram a poder entrar na Irlanda sem visto para fins de turismo, conferências e reuniões de negócios por até 30 dias, prorrogáveis para 90 dias acumulados em 12 meses. Dublin, a capital irlandesa, já abrigava cerca de 80 mil brasileiros antes do acordo — e a tendência é de crescimento acelerado.

Mas a isenção de visto não significa o mesmo que autorização para trabalhar. E é justamente essa confusão que tem levado muitos brasileiros a situações jurídicas complicadas na Irlanda. O que muda com o novo acordo? O que você precisa saber antes de embarcar rumo a Dublin com a ideia de trabalhar?

O que a isenção de visto realmente significa

A Portaria 18/2026 facilita a entrada temporária, não o direito de residência ou trabalho. Um brasileiro que chega a Dublin como turista ou visitante não pode aceitar emprego formal, abrir empresa ou estudar em curso de longa duração enquanto estiver sob o regime de isenção.

Para trabalhar legalmente na Irlanda, é necessário obter uma autorização de trabalho (Employment Permit) emitida pelo Departamento de Empresa, Comércio e Emprego da Irlanda. Existem diferentes modalidades, e a elegibilidade depende de fatores como a área de atuação, o salário oferecido e a situação do mercado de trabalho local.

Confundir "posso entrar sem visto" com "posso trabalhar livremente" é o erro mais comum — e um dos mais caros em termos legais.

Tipos de autorização de trabalho para brasileiros na Irlanda

A Irlanda oferece principalmente dois tipos de Employment Permit para trabalhadores de fora do Espaço Econômico Europeu:

Critical Skills Employment Permit: destinado a profissionais com habilidades em alta demanda, como tecnologia da informação, engenharia, saúde e ciências. Exige salário mínimo de €38.000 anuais (€64.000 para algumas categorias) e permite ao titular trazer família.

General Employment Permit: mais amplo em termos de ocupações, mas com requisitos rígidos: a empresa contratante precisa demonstrar que tentou contratar cidadãos europeus primeiro (processo chamado de labour market needs test). O salário mínimo é de €34.000 anuais para a maioria das funções.

Há ainda opções para estudantes universitários, pesquisadores e empreendedores, cada uma com suas especificidades legais.

O risco de trabalhar sem autorização

Brasileiros que trabalham na Irlanda sem a devida autorização estão sujeitos a consequências graves: deportação, proibição de retorno ao país por anos e dificuldades futuras para obter vistos para qualquer país europeu.

Do lado do empregador, contratar um trabalhador sem autorização é crime na Irlanda e pode resultar em multas de até €250.000 e pena de prisão. Embora as notificações por correio eletrônico de "vagas para brasileiros" circulem amplamente no WhatsApp, a legalidade dessas oportunidades nem sempre é verificada.

Segundo informações disponíveis no portal oficial de imigração do governo irlandês, irishimmigration.ie, qualquer pessoa que planeje trabalhar na Irlanda deve verificar previamente sua elegibilidade para um Employment Permit.

A Irlanda como trampolim para a Europa: o que considerar

A Irlanda tem atraído brasileiros não apenas pelo idioma inglês e pela proximidade cultural com o mundo tecnológico — é sede de gigantes como Google, Meta e Pfizer —, mas também pelo salário mínimo de €14,15 por hora vigente desde janeiro de 2026 e pela possibilidade de residência permanente após cinco anos de estadia legal.

Além disso, negociações em andamento para voos diretos entre o Brasil e Dublin devem reduzir ainda mais a barreira da distância. A demanda é crescente e o acordo de isenção de vistos funciona como porta de entrada — mas a travessia completa exige planejamento jurídico cuidadoso.

Para quem pensa em Dublin como ponto de partida para uma carreira europeia, a sequência correta é: pesquisa de mercado → proposta de emprego formal → solicitação de Employment Permit → entrada legal. Pular etapas pode custar anos de restrições.

O que um advogado especializado em imigração pode fazer por você

Um advogado de imigração pode analisar seu perfil profissional e indicar qual modalidade de Employment Permit você tem maior chance de obter. Além disso, pode revisar o contrato de trabalho oferecido pela empresa irlandesa para garantir que os termos são legalmente válidos e que seus direitos como trabalhador estrangeiro estão protegidos.

No caso de rejeições ou complicações burocráticas — que acontecem frequentemente com documentações enviadas sem orientação adequada —, um especialista pode conduzir recursos e reverter decisões negativas.

A isenção de visto entre Brasil e Irlanda é uma excelente notícia para quem sonha com Dublin. Mas, como em qualquer mudança de vida importante, ter apoio jurídico especializado faz a diferença entre um recomeço bem-sucedido e uma experiência frustrante.

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