O Circuito Sertanejo 2026 está em plena temporada: o Restinga Rodeo Music encerrou sua edição de quatro dias em 20 de abril, e o Ribeirão Rodeo Music — um dos maiores festivais de música do país — começa em 30 de abril, em Ribeirão Preto (SP), com 17 shows ao longo de dez dias. Milhões de fãs irão comparecer aos rodeios e shows, mas poucos se preocupam com um risco real e silencioso: o dano auditivo causado pela exposição prolongada a sons de alta intensidade.
O que é o Circuito Sertanejo e por que este ano importa
O Circuito Sertanejo é a maior plataforma de música ao vivo do Brasil, reunindo seis grandes eventos nacionais transmitidos pela Globo. A temporada 2026 teve início em abril com o Restinga Rodeo Music (17 a 20 de abril, Rio Grande do Sul), com shows de Matheus & Kauan, Matogrosso & Mathias e outros artistas. Na sequência, o Ribeirão Rodeo Music (30 de abril a 9 de maio) em Ribeirão Preto traz 17 apresentações em dez dias.
Eventos desse porte reúnem dezenas de milhares de pessoas em frente a palcos com sistemas de som que ultrapassam facilmente 100 decibéis — nível suficiente para causar danos auditivos em exposições relativamente curtas.
O risco que ninguém fala: como o som danifica sua audição
Segundo o Ministério da Saúde, sons acima de 85 decibéis (dB) podem causar perda auditiva permanente quando a exposição dura mais de 8 horas. A cada 3 dB acima desse limite, o tempo seguro de exposição cai pela metade:
- 88 dB → 4 horas de exposição segura
- 91 dB → 2 horas
- 94 dB → 1 hora
- 100 dB ou mais → menos de 15 minutos
Shows sertanejos típicos chegam a 105-110 dB próximos às caixas de som. Uma tarde de rodeio — das 18h à meia-noite — pode expor o ouvido a níveis 10 vezes acima do limiar de risco.
Estima-se que 17,3 milhões de brasileiros (cerca de 1,1% da população) convivam com algum grau de perda auditiva ou surdez, segundo dados do IBGE. O ruído ocupacional e recreativo é uma das principais causas preveníveis.
Sinais de alerta após um show
O problema com o dano auditivo induzido por ruído é que ele não dói — e é progressivo. Os sintomas imediatos incluem:
- Zumbido nos ouvidos (tinnitus): aquele chiado que persiste após o evento
- Sensação de ouvidos "tapados": som abafado nas horas seguintes
- Dificuldade de entender conversas em ambientes barulhentos
- Fadiga auditiva: cansaço incomum ao ouvir
Se o zumbido durar mais de 24 horas após o show, é sinal de que houve dano real às células ciliadas da cóclea. Ao contrário do que muitos pensam, essas células não se regeneram — a perda é permanente.
Como se proteger sem abrir mão do show
A proteção auditiva evoluiu muito nos últimos anos. Não é mais necessário usar aquele protetor industrial laranja que abafa tudo — os modelos modernos atenuam frequências específicas mantendo a qualidade musical:
- Protetores de filtro (Hi-Fi earplugs): reduzem o volume uniformemente, preservando a qualidade sonora. Custam entre R$30 e R$300 e são reutilizáveis
- Protetores espuma descartáveis: atenuam mais, mas alteram a timbragem. Úteis para quem fica perto das caixas
- Monitoração in-ear personalizada: solução usada por músicos profissionais; cara, mas ideal para quem frequenta shows com regularidade
- Distância estratégica das caixas: ficar a pelo menos 10 metros das caixas de PA pode reduzir a exposição em 20 dB
Outras medidas práticas:
- Faça pausas acústicas de 10 minutos a cada hora fora da área de som
- Evite usar fones de ouvido com volume alto nos dias anterior e posterior ao evento
- Crianças menores de 8 anos devem usar proteção obrigatória — seus ouvidos são mais vulneráveis
Quando consultar um otorrinolaringologista
Muitas pessoas só descobrem a perda auditiva induzida por ruído meses ou anos depois, quando a perda já é significativa. O momento certo de consultar um especialista é:
- Após qualquer episódio de zumbido que dure mais de 24 horas
- Se você frequenta shows regularmente (mais de 2 eventos por mês): audiometria anual preventiva
- Se familiares reclamam que você pede para repetir frases ou aumenta o volume da TV
- Antes de usar protetores personalizados: a audiometria inicial serve como linha de base
Uma consulta com otorrinolaringologista inclui audiometria tonal e vocal, que mede com precisão os limiares de audição em cada frequência. O exame leva cerca de 30 minutos e pode revelar perda auditiva que você ainda não percebeu.
Aproveite o Circuito Sertanejo 2026 com segurança
O Ribeirão Rodeo Music começa em 30 de abril, e a temporada se estende por vários meses. Aproveite cada show — mas cuide dos seus ouvidos. Ao contrário de um ingresso perdido ou de um ângulo ruim no show, a perda auditiva é para sempre.
Se você já sente zumbido frequente ou dificuldade para ouvir em ambientes barulhentos, não espere: um otorrinolaringologista pode fazer uma avaliação completa e indicar as melhores estratégias de proteção para o seu perfil auditivo.
Aviso: Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico otorrinolaringologista. Em caso de sintomas auditivos persistentes, procure atendimento especializado.
