Chay Suede anunciou neste mês que vai dar uma pausa nas novelas após viver quatro protagonistas em sete anos na TV Globo. A decisão veio logo após a estreia de "Quem Ama Cuida", em 18 de maio de 2026, onde interpreta Pedro, um advogado idealista. "Minha prioridade é ser pai", declarou o ator, pai de três filhos com a cantora Laura Neiva. A notícia gerou repercussão: e os contratos? O que a lei garante a um artista que decide fazer pausa na carreira?
O que significa "pausar" para um artista sob contrato
No Brasil, atores contratados por emissoras de televisão geralmente se enquadram em duas categorias: empregados com registro em carteira (CLT) ou prestadores de serviço por pessoa jurídica. Em ambos os casos, uma pausa voluntária na carreira tem implicações jurídicas distintas.
Para um empregado CLT com contrato por prazo determinado — comum em novelas com datas de início e fim —, o período de pausa só é legalmente possível se houver previsão contratual ou acordo entre as partes. Abandonar o contrato unilateralmente, mesmo que "para cuidar da família", pode gerar obrigações de indenização.
Já para prestadores de serviço, o término de cada produção encerra automaticamente o vínculo com aquela entrega específica. Não há obrigação de aceitar novos projetos — o que pode ser o modelo adotado por Chay Suede ao decidir reduzir sua carga de trabalho sem romper vínculos de forma formal.
Exclusividade: o nó dos contratos artísticos
O ponto mais sensível em contratos de grandes emissoras é a cláusula de exclusividade. Por ela, o artista se compromete a não trabalhar para concorrentes durante o período contratado — e, em alguns casos, por determinado tempo após o encerramento do vínculo.
Uma pausa não necessariamente suspende essa exclusividade — e casos como o de Ailton Graça, que deixou a Globo após 22 anos, mostram como essas cláusulas podem ter efeitos de longo prazo. Se Chay Suede tiver cláusula ativa com a Globo, o período de "descanso" pode continuar impedindo-o de trabalhar em streaming concorrente, cinema independente ou publicidade de marcas específicas.
Segundo a Lei nº 6.533/1978, que regula o exercício das profissões de artista e de técnico em espetáculos de diversões no Brasil, toda cláusula restritiva deve constar expressamente no contrato e ser limitada no tempo. Cláusulas de exclusividade por prazo indefinido são consideradas abusivas e podem ser contestadas judicialmente.
Paternidade e direitos trabalhistas: o que a lei garante
No debate sobre a escolha de Chay Suede de priorizar a paternidade, um aspecto raramente mencionado entra em jogo: os direitos trabalhistas relacionados à família.
No Brasil, a licença-paternidade para empregados CLT é de apenas 5 dias corridos, podendo ser estendida para 20 dias para empresas aderentes ao Programa Empresa Cidadã. Esse prazo é considerado insuficiente por especialistas em direito de família e saúde mental, e a decisão de Chay Suede coloca o tema em evidência: para pais que desejam maior presença no início da vida dos filhos, o contrato de trabalho precisa ser adaptado.
Algumas alternativas legalmente viáveis incluem:
- Redução de carga horária com proporcionalidade salarial
- Licença não remunerada por prazo acordado entre as partes
- Contrato por projeto que permite intervalos entre produções
- Cláusula de preferência, onde o artista tem prioridade nos próximos projetos da emissora sem vínculo contínuo
Negociar essas condições com a emissora exige assessoria jurídica especializada para garantir que os termos acordados sejam formalizados e exequíveis.
Direitos de imagem durante a pausa
Outro ponto crítico: o que acontece com os direitos de imagem de um artista que "pausa" a carreira?
Personagens já interpretados continuam sendo propriedade intelectual com regras definidas em contrato. Uma emissora pode reutilizar imagens, cenas ou caracterizações do ator em reprisas, streaming e merchandising — muitas vezes sem compensação adicional, dependendo do que foi acordado originalmente.
Para artistas como Chay Suede, que construíram reconhecimento em múltiplas novelas de sucesso, garantir que os contratos incluam cláusulas claras sobre uso de imagem em reapresentações é fundamental. A omissão desse ponto pode significar uso de imagem durante anos sem remuneração, mesmo durante o período em que o ator decidiu se afastar.
Quando o artista precisa de um advogado
A trajetória de Chay Suede — quatro protagonistas em sete anos — representa uma carreira de alto nível com múltiplos contratos firmados. Fazer uma pausa estratégica nesse momento requer não apenas uma decisão pessoal, mas uma análise jurídica cuidadosa.
Um advogado especializado em direito do entretenimento pode:
- Revisar os termos de exclusividade e identificar janelas para a pausa
- Renegociar condições com emissoras para criar acordos de hiato formal
- Proteger os direitos de imagem já adquiridos durante a pausa
- Estruturar contratos futuros com cláusulas de equilíbrio entre carreira e vida pessoal
A decisão de Chay Suede de pausar para ser pai ressoa com milhares de profissionais brasileiros que enfrentam o mesmo dilema entre carreira e família. A diferença é que, no mundo do entretenimento, essa escolha tem implicações contratuais que podem custar caro se não forem bem gerenciadas.
Atenção: Este artigo tem caráter informativo. Para questões jurídicas sobre contratos artísticos ou direitos de imagem, consulte um advogado especializado em direito do entretenimento habilitado pela OAB.
