Cinco meses após uma cirurgia no menisco do joelho direito, o meia belga Charles De Ketelaere abriu o placar para a Bélgica contra os Estados Unidos no dia 6 de julho de 2026, em Lumen Field, em Seattle. Aos 9 minutos do primeiro tempo, ele tocou para as redes após um cruzamento de Nicolas Raskin que a defesa americana não conseguiu afastar. A Bélgica venceu por 3 a 2 — com o gol da classificação chegando aos 125 minutos, num pênalti histórico — e avançou para as quartas de final da Copa do Mundo 2026. Para quem acompanhou sua lesão no início do ano, ver De Ketelaere em campo nessa partida já era uma vitória. Marcando o gol de abertura, foi um símbolo do que a medicina esportiva moderna pode alcançar quando o tratamento é feito no momento certo.
A lesão que quase tirou De Ketelaere da Copa
Em 11 de fevereiro de 2026, durante o aquecimento para a partida da Atalanta contra o Cremonese pelo Campeonato Italiano, De Ketelaere sentiu algo ceder no joelho direito. O diagnóstico foi preciso e preocupante: ruptura do corno posterior do menisco interno. O procedimento cirúrgico foi realizado no Hospital Universitário Agostino Gemelli, em Roma, pelo professor Ezio Adriani. A estimativa de recuperação era de quatro a cinco semanas para atividades leves — e meses de trabalho intenso para voltar à alta performance.
Com a Copa do Mundo marcada para começar em junho, as semanas seguintes foram de reabilitação intensa. Nas sessões de preparação com a seleção belga antes do torneio, De Ketelaere e outros titulares foram poupados de treinos por precaução. A presença dele no grupo final foi tratada como incerta até o último momento.
O que é o menisco e por que ele lesiona tanto
O menisco é uma estrutura de cartilagem em forma de C localizada no joelho, entre o fêmur e a tíbia. Cada joelho tem dois: o menisco interno (medial) e o externo (lateral). Eles funcionam como amortecedores e estabilizadores da articulação, distribuindo o impacto durante a caminhada, a corrida e os saltos.
Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), as lesões meniscais estão entre as mais frequentes no joelho, especialmente em praticantes de futebol, corrida e esportes de quadra. No Brasil, onde o futebol de fim de semana é parte da cultura de milhões de pessoas, essa lesão é muito mais comum do que se imagina — e frequentemente subestimada.
A ruptura pode ocorrer por torção abrupta do joelho, mudança brusca de direção ou impacto direto. Em atletas jovens como De Ketelaere, a causa mais comum é o trauma durante o esforço. Em pessoas mais velhas, o desgaste cumulativo também pode provocar rupturas sem um trauma claro.
Quando a cirurgia é necessária
A decisão pelo tratamento cirúrgico não é automática. Em rupturas pequenas, em pacientes sedentários ou com lesões no menisco externo com boa vascularização, o tratamento conservador — fisioterapia, repouso e anti-inflamatórios — pode ser suficiente.
Mas para atletas jovens com alta demanda articular e rupturas no corno posterior — região com baixo suprimento sanguíneo e menor capacidade de cicatrização espontânea —, a artroscopia tende a ser a indicação mais eficaz. É um procedimento minimamente invasivo: o cirurgião introduz uma câmera e instrumentos por pequenas incisões e realiza o reparo ou a ressecção parcial do tecido danificado.
A recuperação varia conforme o tipo de procedimento. Em meniscectomias parciais (retirada de parte do menisco), o retorno às atividades leves leva entre quatro e seis semanas. Em suturas meniscais, o prazo é maior — de três a seis meses — com maior chance de preservação do tecido a longo prazo. No caso de De Ketelaere, a rapidez do retorno ao futebol de elite sugere que o procedimento foi bem-sucedido e que a reabilitação foi conduzida com rigor.
O que a trajetória de De Ketelaere ensina ao atleta recreativo
A jornada de recuperação de De Ketelaere serve como estudo de caso para qualquer pessoa que pratica esportes regularmente. Ele operou no tempo certo, seguiu um protocolo de reabilitação estruturado e não forçou o retorno antes de estar preparado. O resultado: fase de grupos com dois jogos como titular e um gol histórico nas oitavas de final.
No Brasil, o padrão costuma ser diferente. Muitas pessoas que sentem dor no joelho após um trauma optam por repouso improvisado, pomadas e espera — sem jamais passar por uma avaliação ortopédica. Quando procuram atendimento, a lesão já pode ter evoluído para um problema mais complexo, com dano à cartilagem adjacente e risco de artrose precoce.
5 sinais de que você precisa consultar um ortopedista
- Dor localizada na linha do joelho — interna ou externa — que aparece ou piora ao agachar, subir escadas ou mudar de direção rapidamente
- Inchaço que surge horas depois do trauma, mesmo sem impacto direto visível; a inflamação meniscal pode demorar a se manifestar
- Sensação de "travamento" ou de que o joelho não abre ou fecha completamente — sinal clássico de fragmento meniscal deslocado
- Instabilidade articular durante atividades simples, como ao descer uma calçada ou caminhar em terreno irregular
- Dor que some com o repouso mas volta sempre que você retoma o esporte — padrão típico de lesão estrutural, não apenas muscular
Aguardar que o problema "passe sozinho" é o erro mais comum. Lesões meniscais não tratadas aumentam o desgaste da cartilagem articular e podem acelerar a artrose em pessoas com menos de 40 anos — exatamente o público mais ativo.
A Copa 2026 como vitrine da medicina esportiva de ponta
A Copa do Mundo 2026 tem revelado histórias de superação ligadas à medicina esportiva. Giovanni Reyna foi convocado pelos Estados Unidos mesmo após uma lesão muscular recente, numa aposta calculada pelo staff médico da seleção americana. De Ketelaere foi além: não apenas jogou — marcou.
Com o Brasil eliminado pela Noruega nas oitavas, os torcedores brasileiros assistem às quartas de final como espectadores neutros. Mas o que esses casos ensinam vale além do campo: a longevidade esportiva — seja no futebol profissional ou no pelada de domingo — depende de decisões médicas tomadas no momento certo, por profissionais qualificados.
Se você sente dor persistente no joelho há mais de uma semana após um trauma ou esforço físico, não espere mais. Um ortopedista especializado em medicina esportiva pode avaliar a extensão da lesão por ressonância magnética e indicar o tratamento mais adequado ao seu perfil. No ExpertZoom, você encontra especialistas disponíveis para atendimento sem longa espera.
Aviso importante: As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a avaliação de um médico ortopedista. Cada caso é único e requer diagnóstico individualizado.

Gabriel Alves