A Copa do Mundo 2026 começou a colocar milhares de brasileiros diante de uma decisão prática: viajar ao Canadá para acompanhar jogos da seleção canadense em Toronto e Vancouver, ou tentar acompanhar a fase final em solo norte-americano. Com a estreia canadense marcada para 12 de junho em Toronto e o Brasil estreando no dia 13 em Nova Jersey, a corrida por documentos virou rotina nos consulados.
O detalhe que pega muita gente desprevenida: brasileiros precisam de autorização prévia para entrar no Canadá. Não é vinheta de redes sociais — é exigência formal do governo canadense, com regras específicas para portadores de passaporte brasileiro. Um advogado especializado em direito de imigração pode evitar o erro mais comum entre torcedores: chegar ao aeroporto sem documento válido e ser barrado no embarque.
eTA ou visto: o que vale para brasileiros
Desde 2017, o Canadá adotou regras diferenciadas para brasileiros. A categoria do documento depende do histórico de viagem da pessoa.
eTA (Autorização Eletrônica de Viagem) vale para brasileiros que cumprem ao menos uma das condições:
- Possuir visto americano válido (não vencido)
- Ter visitado o Canadá com visto temporário nos últimos 10 anos
Para quem se enquadra, o eTA custa cerca de CAD 7 e sai online em poucos minutos, embora possa demorar até 72 horas em alguns casos. A autorização vale 5 anos ou até a validade do passaporte, o que vier primeiro.
Visto de visitante (TRV) é obrigatório para brasileiros que não cumprem nenhuma das condições acima. O processo envolve formulários, taxa de CAD 100, biometria em centros de coleta credenciados e prazo que pode passar de 90 dias em períodos de alta demanda — exatamente o que se espera durante a Copa.
A confusão entre as duas modalidades é a principal causa de embarques negados. Um advogado de imigração avalia a documentação real, evita preenchimento errado e orienta sobre o tempo correto para iniciar o processo.
Os erros mais frequentes em pedidos
Segundo dados do Immigration, Refugees and Citizenship Canada, os pedidos brasileiros são recusados principalmente por:
- Documentação financeira insuficiente
- Vínculo com Brasil considerado fraco pelo agente consular
- Histórico de viagem inconsistente com declarações
- Comprovante de hospedagem genérico ou vencido
- Carta-convite mal redigida quando há anfitrião no Canadá
Cada um desses pontos é evitável com preparação. O problema é que muitos brasileiros descobrem a falha apenas após receberem a negativa — e nova solicitação fica registrada como reanálise, com peso negativo.
Direitos do consumidor quando o visto não sai a tempo
Imagine este cenário: o torcedor comprou ingresso oficial da FIFA, pacote com hotel em Toronto e passagem aérea há meses. O visto é negado a 30 dias do jogo. Quem responde?
A resposta jurídica depende de cada contrato. O Código de Defesa do Consumidor brasileiro protege em diversos pontos:
- Pacotes contratados de agência brasileira: a operadora deve devolver valores quando a recusa de visto for documentada, descontadas apenas despesas comprovadamente realizadas
- Passagens aéreas: a Resolução 400/2016 da Agência Nacional de Aviação Civil garante reembolso integral em 12 meses para passagens não utilizadas, com restrição apenas a tarifas promocionais com regras específicas
- Ingressos FIFA: política própria, normalmente sem reembolso por motivo individual — vale verificar termos contratuais antes da compra
Um advogado de defesa do consumidor pode acionar a Justiça Especial Cível para cobrar valores recusados pela operadora. Em pacotes acima de R$ 40 mil, vale procurar advogado para Justiça comum, dado o limite dos juizados.
Pagamentos internacionais e tributação
Brasileiros que pretendem custear viagem com cartão internacional ou compra de moeda em espécie devem considerar o cenário tributário atual. O IOF sobre operações de câmbio para viagem subiu ao longo de 2025 e segue elevado em 2026. Para gastos acima de USD 5.000, o controle do Banco Central exige declaração detalhada.
Um contador ou gestor de patrimônio pode estruturar a remessa para minimizar impacto fiscal e evitar erro de declaração no Imposto de Renda 2027, especialmente para quem comprar dólares em espécie ou usar cartão pré-pago de viagem.
E quem mora no Brasil mas quer apostar nos jogos do Canadá
O Canadá entra em campo no dia 12 de junho contra a Bósnia em Toronto. Com a regulamentação das apostas esportivas no Brasil consolidada desde 2024, brasileiros podem apostar em jogos do Canadá apenas em casas com licença emitida pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
Casas estrangeiras sem licença brasileira operam em zona cinzenta. O apostador não tem proteção do Procon ou da Justiça brasileira para cobrar pagamentos. Um advogado de direito digital ou de consumo pode orientar sobre quais plataformas oferecem segurança jurídica real, especialmente em apostas de valor elevado.
Passos práticos antes de viajar
Para quem decidiu acompanhar jogos no Canadá durante a Copa 2026:
- Verifique imediatamente a validade do passaporte — Canadá exige passaporte válido por toda a estadia, com recomendação de margem extra
- Identifique sua categoria correta: eTA ou visto de visitante
- Reúna comprovantes financeiros dos últimos 3 a 6 meses
- Solicite carta-convite formal se for hospedar-se com conhecidos
- Compre passagens com seguro viagem que cubra cancelamento por recusa de visto
- Guarde todos os comprovantes em pasta digital organizada
- Para casos sensíveis, consulte um advogado de imigração antes de protocolar o pedido
A Expert Zoom reúne advogados de imigração, defesa do consumidor e contadores em todo o Brasil que podem orientar tanto na obtenção da autorização canadense quanto na proteção dos valores investidos na viagem.

Joao Souza