O ex-ministro Camilo Santana confirmou nesta semana sua participação como coordenador da campanha de Lula para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro de 2026 — e encerrou definitivamente sua passagem pelo Ministério da Educação, cargo que ocupou de janeiro de 2023 a 2 de abril de 2026. Para milhões de famílias brasileiras, especialmente aquelas com filhos se preparando para o ENEM em novembro, a transição levanta uma pergunta urgente: o que muda na prática para os estudantes?
O legado de Camilo Santana no MEC em números
Durante três anos e três meses à frente do Ministério da Educação, Camilo Santana transformou a alfabetização em prioridade de Estado. Os resultados foram expressivos: a taxa de crianças alfabetizadas na idade certa saltou de 36% em 2021 para 66% em 2025, segundo balanço apresentado pelo próprio ministro ao Senado em abril de 2026. O Programa Escola em Tempo Integral expandiu a jornada escolar para nove em cada dez municípios brasileiros.
Essas conquistas não aconteceram por acaso. O MEC sob Camilo investiu de forma consistente no Programa Criança Alfabetizada 2026 e no reforço escolar público, na revisão curricular do ensino médio alinhada à BNCC e na digitalização das escolas públicas. Mas com sua saída e a entrada do ministro Leonardo Barchini, o cenário mudou — e com ele, as perspectivas para o ENEM 2026.
O novo ministro assumiu em um momento politicamente sensível: o calendário do ENEM 2026 já estava definido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para novembro, com pouco espaço para grandes mudanças de curso. Mesmo assim, a incerteza sobre a continuidade de programas de reforço escolar público já preocupa educadores e famílias em todo o Brasil.
O que a transição ministerial significa para estudantes em 2026
A chegada de um novo ministro em pleno ano eleitoral, a menos de dois meses do ENEM, não é um evento neutro. O Inep, responsável pela organização do exame, opera com autonomia técnica, mas as prioridades do MEC afetam diretamente o financiamento de programas de preparação pública — e, consequentemente, o nível de suporte que alunos de escolas públicas recebem nos meses finais de preparação.
Para os alunos matriculados em escolas de tempo integral — que tiveram mais horas de instrução nos últimos três anos — a continuidade do suporte pedagógico depende das decisões que Barchini tomará nas próximas semanas. Para os que estudam em escolas tradicionais de período parcial, a realidade já era mais restrita.
De acordo com especialistas em educação, a incerteza política em ano eleitoral costuma travar a implementação de novas diretrizes curriculares e congelar a liberação de recursos para programas suplementares. Em 2026, o ENEM segue a matriz do Novo Ensino Médio, com foco em competências e habilidades por área de conhecimento — mas famílias que dependem exclusivamente do ensino público para preparar seus filhos estão cada vez mais recorrendo ao reforço particular como forma de garantir uma preparação sólida e independente das mudanças institucionais.
Dados do setor de educação suplementar indicam que a procura por professores particulares cresceu 23% em 2025 no Brasil — reflexo direto da combinação entre incerteza sobre reformas e ampliação da competição por vagas em universidades públicas federais.
Sofia tem 42 dias para o ENEM: quanto vale um professor particular nesse cenário?
Considere a situação de Sofia, 17 anos, moradora de São Paulo, que estuda em uma escola pública de período integral no bairro do Tatuapé. Ela participou das aulas de preparação para o ENEM oferecidas pela escola, mas identifica lacunas específicas em Matemática e Redação — as duas áreas onde a diferença de nota é mais decisiva para acesso a cursos concorridos nas federais.
Com 42 dias úteis até o ENEM de novembro de 2026, Sofia enfrenta uma escolha com impacto financeiro e de carreira objetivamente mensurável:
Opção 1: sem reforço particular, apenas escola pública Continuar com o conteúdo regular da escola. Risco estimado: nota média entre 540 e 590 pontos — insuficiente para cursos como Direito, Medicina ou Engenharia em universidades federais, cujas notas de corte variam entre 650 e 780 pontos.
Opção 2: com professor particular em Matemática e Redação Duas horas por dia, cinco dias por semana, a R$80/hora — um investimento de R$6.400 ao longo de seis semanas. Com base em estudos de evolução de notas em preparação intensiva, o crescimento médio esperado é de 60 a 90 pontos na nota final — o suficiente para ultrapassar a nota de corte de cursos intermediários nas federais.
A lógica do investimento fica clara quando comparada à alternativa: se Sofia não atingir a nota necessária e precisar de um cursinho pré-vestibular no ano seguinte, o custo médio varia de R$14.000 a R$22.000 por ano — além de adiar em 12 meses sua entrada no mercado de trabalho ou na graduação desejada.
Se Sofia investe R$6.400 agora e sobe 70 pontos no ENEM, ela pode ingressar diretamente em uma federal. Se não investe, o custo real da espera pode chegar a R$20.000 no mínimo — três vezes maior, sem contar a perda de um ano de carreira.
Esse cálculo não é exclusivo de Sofia. É o dilema de centenas de milhares de estudantes em 2026, em um cenário de transição política que impõe incerteza exatamente quando as famílias mais precisam de estabilidade educacional.
O que os professores particulares oferecem quando a política pública oscila
A saída de Camilo Santana do MEC e a entrada de um novo gestor ilustram um risco estrutural histórico da educação pública brasileira: a dependência das prioridades do gestor de turno. Os índices de alfabetização subiram consistentemente nos últimos três anos — mas ainda há lacunas significativas na preparação para o ensino superior.
É nesse espaço que os professores particulares se tornam aliados estratégicos das famílias, oferecendo algo que nenhuma política pública consegue garantir com regularidade:
Continuidade independente de troca de ministério. O vínculo é entre aluno e professor, não entre família e programa governamental. Uma mudança de gestão no MEC não afeta o plano de estudos combinado.
Personalização que o ensino em massa não oferece. Enquanto uma turma de 35 alunos avança coletivamente, o professor particular foca nas lacunas específicas de cada estudante — seja a álgebra que ficou para trás no 1º ano do ensino médio ou a estrutura argumentativa que a redação ainda não consolidou.
Foco em competências de alto impacto para o ENEM. A Redação, que vale de 0 a 1.000 pontos, é frequentemente negligenciada nas escolas públicas sobrecarregadas. Um professor especializado em ENEM trabalha exatamente as cinco competências avaliadas pela banca — e um aumento de 100 pontos nessa prova pode representar a diferença entre a aprovação e a lista de espera.
Como escolher o professor certo para o ENEM 2026
Com o exame em novembro, o tempo é o recurso mais escasso. Orientações práticas para famílias que decidem investir em reforço agora:
- Priorize as áreas de maior impacto por nota: Redação e Matemática oferecem o maior retorno por hora de estudo para a maioria dos candidatos.
- Exija uma aula diagnóstica antes de contratar: um bom professor identifica as lacunas específicas do aluno e apresenta um plano de estudo com metas claras por semana.
- Verifique experiência específica com o ENEM: a prova exige competências específicas de cada área — não basta dominar o conteúdo, é preciso entender como a banca avalia.
- Consulte avaliações de outros alunos: professores com histórico de melhora consistente de notas entre um ano e outro são os mais confiáveis.
Plataformas como o Expert Zoom reúnem professores particulares avaliados por alunos, com filtros por disciplina, disponibilidade e faixa de preço — facilitando a escolha certa no tempo certo.
Aviso importante (YMYL): As informações sobre políticas educacionais e programas do MEC mencionadas neste artigo têm caráter informativo e devem ser verificadas nas fontes oficiais do governo federal. Para decisões de planejamento educacional com impacto financeiro relevante, recomenda-se consultar um professor particular especializado ou orientador educacional antes de contratar qualquer serviço.
O que esperar nos próximos meses
Com Camilo Santana focado na coordenação da campanha de Lula para o 2º turno e a educação sob comando de Barchini, o cenário para novembro de 2026 é de continuidade cautelosa: os programas iniciados devem seguir operando, mas novos investimentos e diretrizes ficam suspensos até a definição do próximo governo após o resultado das urnas em 25 de outubro.
Para as famílias com filhos no ensino médio, a conclusão é clara: não espere o Estado resolver tudo. O ENEM 2026 está chegando, e o apoio de um professor particular — em Matemática, Redação ou qualquer outra área identificada como ponto fraco — pode representar a diferença objetiva entre a aprovação direta e mais um ano de espera, com custo emocional e financeiro muito maior.

Lucas Pereira