Bruno Henrique, atacante do Flamengo, voltou a campo em abril de 2026 após seis partidas fora por pubalgia — lesão na região púbica e virilha — e marcou o gol da vitória na estreia do clube na Copa Libertadores contra o Cusco FC, em 8 de abril. O retorno do jogador de 35 anos coloca em destaque um tipo de lesão que afeta não apenas atletas profissionais, mas qualquer pessoa que pratica esportes regularmente.
O que é pubalgia e por que ela afasta atletas
Pubalgia é o nome dado a um conjunto de dores na região do púbis e virilha, geralmente causado por sobrecarga muscular, movimentos repetitivos ou desequilíbrios entre grupos musculares. No futebol, é uma das lesões mais frequentes: os movimentos de chute, mudança de direção e aceleração repentina colocam pressão constante nessa área anatômica.
No caso de Bruno Henrique, o processo de recuperação envolveu uma fase de transição física estruturada pela comissão médica do Flamengo — com sessões progressivas de carga, monitoramento contínuo e clearance médico antes do retorno ao treinamento completo. Somente após confirmação da equipe médica ele voltou a ser opção para o técnico Leonardo Jardim.
O fato de ter marcado gol logo na primeira partida de volta não é apenas boa notícia esportiva — é um indicador de que o protocolo de recuperação funcionou conforme esperado.
Pubalgia não é exclusiva de futebolistas
Embora casos como o de Bruno Henrique ganhem visibilidade pela repercussão esportiva, pubalgia é uma lesão comum entre praticantes amadores de diversas modalidades: futebol de fim de semana, corrida, musculação, ciclismo, natação e até artes marciais.
O mecanismo é frequentemente o mesmo: sobrecarga acumulada sem período adequado de descanso, ausência de aquecimento e desaquecimento estruturados, desequilíbrio entre força abdominal e musculatura do quadril.
Diferente de entorses ou fraturas — que geralmente têm um evento de início claro — a pubalgia tende a se instalar gradualmente. A dor começa discreta, piora progressivamente e pode se tornar crônica se não tratada adequadamente. Esse caráter insidioso é exatamente o que faz com que muitas pessoas posterguem a busca por atendimento médico.
Quando a dor na virilha exige avaliação especializada
A tendência de "aguentar" dores musculares e articulares é culturalmente enraizada no esporte — amador e profissional. O risco é transformar uma lesão aguda tratável em um problema crônico que compromete a função e a qualidade de vida.
Alguns sinais que indicam que a dor na região do púbis ou virilha precisa de avaliação por um médico especializado em medicina esportiva:
- Dor que persiste após mais de 5 dias de repouso
- Dificuldade para caminhar em ritmo normal sem desconforto
- Dor que irradia para a parte interna da coxa ou para o abdômen inferior
- Piora da dor ao subir escadas, espirrar ou tossir
- Recorrência — a dor volta sempre que você retoma a atividade física, mesmo em intensidade reduzida
- Perda progressiva de mobilidade no quadril
Esses sinais não significam necessariamente que a lesão é grave, mas indicam que o diagnóstico diferencial é necessário — já que dor na virilha pode ter múltiplas origens: musculotendinosa, óssea, articular (articulação sacroilíaca), hérnia inguinal ou, mais raramente, causas abdominais e urológicas.
O papel do médico esportivo no diagnóstico e tratamento
Um médico especializado em medicina esportiva está habilitado para distinguir entre as diferentes causas de dor na região pélvica, indicar os exames de imagem adequados (ultrassom, ressonância magnética) e prescrever o protocolo de reabilitação mais eficiente para o perfil do paciente.
Segundo o Conselho Federal de Medicina, a medicina esportiva no Brasil é regulamentada desde 2008 e abrange não apenas o tratamento de lesões, mas também a avaliação pré-participação, a prescrição de exercícios para populações especiais e a medicina do exercício para saúde geral.
No tratamento da pubalgia, o protocolo geralmente inclui:
- Fase aguda: repouso relativo, crioterapia (gelo), anti-inflamatório prescrito pelo médico
- Fase de reabilitação: fisioterapia focada em estabilização do core, fortalecimento do glúteo e flexores do quadril
- Fase de retorno ao esporte: progressão gradual de carga, com critérios funcionais para liberação — não apenas ausência de dor
A tentativa de acelerar esse processo — voltando à atividade antes da liberação médica — é a principal causa de recidiva. Bruno Henrique e a equipe do Flamengo respeitaram cada etapa, e o resultado foi uma volta sem intercorrências.
Prevenção: o que todo praticante de esportes precisa saber
A pubalgia é, em boa parte dos casos, uma lesão prevenível. As principais medidas preventivas reconhecidas na literatura de medicina esportiva incluem:
- Aquecimento adequado antes de qualquer sessão de treino (10-15 minutos de ativação progressiva)
- Fortalecimento do core (região abdominal e lombar) como base para qualquer modalidade esportiva
- Equilíbrio muscular: trabalhar igualmente agonistas e antagonistas do quadril
- Progressão graduada de carga: aumentar volume e intensidade no máximo 10% por semana
- Descanso como parte do treino: atletas amadores frequentemente negligenciam o sono e as sessões de recuperação
Se você pratica esportes de contato, corre regularmente ou joga futebol nos fins de semana — especialmente acima dos 30 anos, quando a recuperação muscular naturalmente demora mais —, uma consulta de avaliação com médico esportivo antes de sentir qualquer dor é um investimento válido.
Encontre um especialista perto de você
A história de Bruno Henrique é um lembrete de que lesões esportivas, quando tratadas corretamente e com suporte profissional qualificado, têm resolução — mesmo em atletas de alta performance com 35 anos de idade.
Para quem não dispõe de um departamento médico como o do Flamengo, a alternativa é buscar, de forma proativa, um médico especializado em medicina esportiva ou um fisioterapeuta com experiência em reabilitação musculoesquelética.
Na plataforma Expert Zoom, você encontra profissionais de saúde especializados em medicina esportiva, prontos para uma avaliação inicial — antes que a dor pequena de hoje vire o afastamento de amanhã.
Nota: Este artigo tem caráter informativo e educativo. Não substitui avaliação médica individualizada. Em caso de dor persistente, consulte um profissional de saúde.
