O atacante Breel Embolo quase não pisou nos gramados da Copa do Mundo 2026. Em junho deste ano, o centroavante da seleção suíça ficou retido na Europa enquanto seus companheiros de equipe viajavam para os Estados Unidos — tudo por causa de uma condenação judicial de 2023. A história terminou bem: Embolo resolveu a situação, embarcou, e marcou o gol decisivo na vitória da Suíça sobre a Argélia por 2 a 0 nas oitavas de final, no dia 3 de julho, em Vancouver. Mas o episódio levanta uma pergunta que atinge milhões de brasileiros: uma ficha criminal, mesmo de anos atrás, pode bloquear o meu visto americano?
O caso Embolo: da briga em Basileia ao visto negado
Em 2018, Embolo se envolveu em uma confusão em Basileia, na Suíça, onde teria proferido múltiplas ameaças. Na época, o caso não ganhou grande repercussão. O problema se materializou em 2023, quando ele foi formalmente condenado — e, ao optar por não recorrer, a sentença transitou em julgado, tornando-se definitiva.
Nove meses depois da condenação, com a Copa de 2026 nos Estados Unidos às portas, o Departamento de Estado americano bloqueou automaticamente a emissão do seu visto. O atacante precisou permanecer na Europa enquanto a equipe suíça já se instalava nos EUA, em um processo burocrático que durou semanas. Apenas em 6 de junho de 2026, sua autorização de entrada foi finalmente aprovada, segundo a CNN Brasil.
O desfecho foi feliz — e culminou em um gol histórico. Mas para quem não conta com uma equipe jurídica profissional por trás, o resultado pode ser muito diferente.
Por que uma condenação criminal pode barrar a entrada nos EUA
A legislação americana é rígida nesse ponto: o Ato de Imigração e Nacionalidade (INA), na Seção 212(a)(2), lista como inadmissível qualquer estrangeiro condenado por determinadas categorias de crimes. Entre elas, os chamados crimes envolvendo torpeza moral (Crimes Involving Moral Turpitude — CIMTs), que incluem ameaças, fraudes, crimes violentos e uma série de outros delitos.
O que surpreende muitos viajantes brasileiros é a amplitude dessa regra:
- A gravidade percebida no Brasil não importa para os EUA. Uma contravenção penal aqui pode ser classificada como CIMT lá, gerando inadmissibilidade automática.
- O tempo não apaga o crime nos formulários americanos. O formulário DS-160, obrigatório para o visto B1/B2, pergunta especificamente sobre condenações criminais em qualquer país, em qualquer época da vida.
- A extinção da punibilidade no Brasil não extingue a obrigação de declarar. Mesmo que seu registro criminal no Brasil esteja "limpo" legalmente, a condenação pode constar em bancos de dados internacionais acessados pelo governo americano.
Declarar falsamente ou omitir informações no DS-160 constitui fraude consular e pode resultar em banimento permanente dos Estados Unidos. O problema, muitas vezes, é simplesmente não saber o que deve ou não ser declarado.
O erro mais comum: achar que "coisa pequena" não conta
Muitos brasileiros acreditam que pequenas infrações — brigas de trânsito com boletim de ocorrência, transações penais, multas criminais — não precisam ser declaradas no visto americano. Esse entendimento está errado e pode ser muito custoso.
A jurisprudência americana é ampla na definição de quais crimes precisam ser reportados. Mesmo um processo criminal arquivado, dependendo da forma como foi encerrado, pode gerar questionamentos durante a entrevista consular. A suspensão condicional da pena prevista no Código Penal brasileiro, por exemplo, não é equivalente a um perdão (pardon) nos termos da lei americana.
O episódio com Embolo não é caso isolado. Como mostrou recente artigo do Expert Zoom, a suspensão de vistos americanos para países como Brasil e Belarus demonstra que o governo americano endurece suas políticas migratórias de forma periódica — e quem tem irregularidades no histórico criminal é sempre o primeiro a ser afetado.
Existe saída? O waiver de inadmissibilidade
Para quem tem uma condenação e precisa viajar aos EUA, existe um caminho legal: o waiver de não-admissibilidade, previsto na Seção 212(d)(3) do INA. Esse pedido especial permite que o Departamento de Estado conceda uma autorização temporária de entrada, mesmo para pessoas tecnicamente inadmissíveis.
O processo é burocrático, demorado e sem garantia de sucesso. É necessário comprovar:
- Que a visita tem um propósito legítimo e bem documentado
- Que o histórico criminal foi superado e não representa risco atual
- Que existem razões humanitárias ou de interesse público que justifiquem a entrada
No caso de Embolo, a intervenção rápida de advogados e da federação suíça foi determinante para agilizar o processo. Para um brasileiro comum, sem esse suporte institucional, o caminho pode ser muito mais longo — e o prazo para resolver a situação, muito menos generoso.
Quando consultar um advogado antes de pedir o visto americano
Se você se enquadra em qualquer um dos cenários abaixo, o ideal é buscar orientação de um advogado especializado em imigração antes de preencher o formulário DS-160:
- Você foi condenado por qualquer crime, mesmo que tenha cumprido a pena há muitos anos
- Você assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) com transação penal
- Você respondeu a processo criminal, ainda que tenha sido absolvido ao final
- Você tem processo em andamento, mesmo sem condenação definitiva ainda
- Você já teve visto americano negado anteriormente por qualquer motivo
Um advogado especializado pode analisar sua situação específica, orientar sobre o que deve ou não ser declarado, preparar documentação para um eventual waiver e, em muitos casos, evitar que uma negativa desnecessária comprometa futuras solicitações de visto.
Segundo o Departamento de Estado dos EUA, cada caso de inadmissibilidade é analisado individualmente, e a apresentação de documentação adequada e bem estruturada pode fazer toda a diferença no resultado final.
Embolo marcou o gol — mas você precisa de apoio jurídico
Breel Embolo entrou em campo em Vancouver no dia 3 de julho de 2026, marcou o gol que abriu o placar e ajudou a Suíça a avançar nas oitavas de final da Copa do Mundo. O atacante nasceu em Camarões, cresceu na Suíça e se naturalizou suíço em 2014 — uma trajetória marcada por superações. O episódio do visto foi mais uma delas.
Mas o desfecho positivo só foi possível porque houve suporte jurídico especializado no momento certo. Para brasileiros que planejam viajar aos Estados Unidos — seja para acompanhar a Copa, seja por negócios, turismo ou estudo — qualquer antecedente criminal é um sinal de alerta que merece atenção especializada. Consultar um advogado no Expert Zoom pode ser o primeiro passo para garantir que a sua viagem não termine antes mesmo de começar.
Aviso: Este artigo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Para análise do seu caso específico, consulte um advogado habilitado.

Joao Souza