BR-116 e os acidentes fatais: o que um mecânico recomenda antes de pegar a estrada

Vista da BR-116 (Rodovia Presidente Dutra) com tráfego de veículos, rodovia federal que concentra altos índices de acidentes no Brasil

Photo : MARCO AURELIO ESPARZAR / Wikimedia

Rafael Rafael GomesMecânica e Reparação
4 min de leitura 25 de abril de 2026

Ao menos quatro acidentes graves ocorreram na BR-116 entre os dias 20 e 25 de abril de 2026, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Entre as ocorrências mais trágicas: na noite do dia 21, uma colisão frontal próximo a Vitória da Conquista (BA) matou três pessoas — entre elas Lucileide Santos Gonçalves, 27 anos, e Wanderson Amaral Santos, 22 anos. No dia 20, uma ambulância e um caminhão bateram de frente no km 636, em Divino (MG), vitimando os dois motoristas.

A BR-116 e os números que assustam

Com aproximadamente 4.500 km de extensão, a BR-116 corta o país do Rio Grande do Sul até o Ceará e é, historicamente, uma das rodovias com maior índice de acidentes fatais no Brasil. A rodovia atravessa regiões serranas, trechos em obras e áreas urbanas com alta densidade de tráfego — uma combinação que exige atenção redobrada e, sobretudo, um veículo em plenas condições mecânicas.

Segundo a PRF, rodovias federais respondem pela maior parte das mortes no trânsito brasileiro. Entre os fatores mais frequentemente identificados nos laudos de acidentes graves, falhas mecânicas no veículo figuram de forma recorrente ao lado de excesso de velocidade e ultrapassagens indevidas.

No dia 24 de abril, outro acidente na BR-116 próximo a Vitória da Conquista envolveu um Chevrolet D20 e uma Honda Bros. Os dois motociclistas sofreram traumatismos graves, incluindo fraturas expostas e luxação de ombro. A pista chegou a ser bloqueada por horas.

Os problemas mecânicos que mais causam acidentes em rodovias

Mecânicos especializados em veículos utilitários e de passeio identificam um conjunto de falhas recorrentes que aumentam dramaticamente o risco de acidentes em rodovias federais:

Pneus em mau estado: pneus carecas, com pressão incorreta ou com danos laterais são a causa número um de capotamentos em rodovias, especialmente em alta velocidade. Uma diferença de 10% na pressão de um pneu pode alterar significativamente o comportamento do veículo em curvas.

Sistema de freios comprometido: pastilhas desgastadas, fluido de freio contaminado (com alto teor de umidade, o que reduz o ponto de ebulição) ou discos empenados aumentam a distância de frenagem em até 30%. Em uma rodovia com velocidade média de 100 km/h, isso significa metros a mais de percurso sem controle.

Amortecedores e suspensão desgastados: pneus que não mantêm contato constante com o asfalto — por suspensão deficiente — tornam o carro imprevisível em piso irregular, muito comum em trechos da BR-116.

Faróis e lanternas com defeito: a baixa visibilidade noturna, combinada com faróis desalinhados ou queimados, é fator de risco especialmente relevante em rodovias sem iluminação — o que descreve a maior parte da extensão da BR-116.

Correia dentada e sistema de arrefecimento: falhas que causam pane no meio da pista em rodovias movimentadas criam situações de risco para o motorista parado e para os outros veículos.

O checklist que mecânicos recomendam antes de uma viagem longa

Antes de qualquer trajeto em rodovias federais — especialmente em rotas como a BR-116, conhecida por trechos perigosos —, mecânicos especializados recomendam uma revisão preventiva com pelo menos 48 horas de antecedência. Os itens básicos do checklist:

  1. Calibragem e inspeção visual dos pneus — verificar desgaste, pressão (incluindo o estepe) e ausência de cortes ou bolhas.
  2. Nível e qualidade do fluido de freio — um teste de umidade do fluido custa menos de R$ 20 e pode indicar a necessidade de troca.
  3. Teste do sistema de iluminação — faróis, lanternas, luz de freio, pisca-alerta e luz de neblina.
  4. Nível de óleo do motor e do líquido de arrefecimento — verificar não apenas o volume, mas a aparência (óleo com aspecto leitoso pode indicar vazamento de água no motor).
  5. Funcionamento dos amortecedores — o teste do "balanço" (pressionar cada canto do carro e verificar se ele volta rapidamente à posição) é uma checagem básica que qualquer motorista pode fazer.
  6. Estado da correia dentada — verificar o manual do veículo para saber se está dentro do prazo de troca recomendado pelo fabricante.

Como mostrou o histórico de acidentes em outra rodovia federal, a BR-101, as vítimas de acidentes em rodovias frequentemente enfrentam um processo longo para obter indenização — o que reforça a importância de prevenir, antes de precisar remediar.

Manutenção preventiva não é custo — é investimento

A resistência à manutenção preventiva é cultural no Brasil: o carro só vai à oficina quando a falha já aconteceu. Mas mecânicos experientes são unânimes: o custo de uma revisão completa pré-viagem — em média entre R$ 150 e R$ 400, dependendo do veículo e do que precisa ser ajustado — é uma fração ínfima do custo de um acidente, seja em danos ao veículo, franquias de seguro, despesas médicas ou perda de dias de trabalho.

Em um cenário como o da BR-116 em abril de 2026, onde múltiplos acidentes graves ocorreram em menos de uma semana, a mensagem dos especialistas em mecânica automotiva é direta: revise o veículo antes de viajar. Não porque a lei obriga, mas porque a sua vida e a de quem está com você dependem disso.

Se o seu veículo não passa por revisão há mais de 10.000 km ou há mais de seis meses, este é o momento de agendar uma consulta com um mecânico especializado — antes de pegar qualquer rodovia federal.

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