Al-Ittihad, Al-Taawoun e os brasileiros no futebol saudita: o que especialistas financeiros alertam sobre os contratos milionários

Troféu da Saudi Pro League 2023-24

Photo : Tkotw12 / Wikimedia

Jose Jose SantosGestão de Patrimônio
5 min de leitura 29 de abril de 2026

Al-Ittihad, Al-Taawoun e os brasileiros no futebol saudita: o que especialistas financeiros alertam sobre os contratos milionários

O confronto entre Al-Taawoun e Al-Ittihad voltou a dominar as buscas no Brasil em 2026, e não é à toa: a Saudi Pro League se tornou um dos destinos mais lucrativos do futebol mundial, com dezenas de brasileiros jogando nos clubes da competição. Neymar Jr., Marcelo Grohe, Jandrei e outros nomes nacionais já experimentaram ou ainda experimentam os petrodólares sauditas — e com salários que chegam a dezenas de milhões de euros por temporada.

Mas o que poucos discutem é o que acontece com esse dinheiro depois que o contrato é assinado. A riqueza repentina, especialmente quando gerada no exterior, levanta questões complexas de planejamento financeiro, tributação e proteção patrimonial que vão muito além do campo.

Por que a Saudi Pro League atrai tantos brasileiros

A Liga Profissional Saudita investiu bilhões de riyals para se tornar competitiva desde 2023. O país utilizou o futebol como parte de sua estratégia de diversificação econômica dentro do plano Vision 2030. Os quatro clubes suportados pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita — Al-Ittihad, Al-Hilal, Al-Ahli e Al-Nassr — passaram a oferecer salários que clubes europeus simplesmente não conseguem competir.

Para jogadores brasileiros, que historicamente dominam mercados europeus e sul-americanos, a opção saudita representou uma virada financeira sem precedentes. Segundo dados da CIES Football Observatory, o Brasil mantém mais de 1.800 jogadores profissionais em ligas estrangeiras — e a Arábia Saudita passou a figurar entre os 10 principais destinos desde 2023.

O problema financeiro que ninguém vê na torcida

Receber salários altíssimos no exterior parece simples. Na prática, é uma armadilha para quem não tem assessoria especializada.

Residência fiscal: Um jogador brasileiro que vive na Arábia Saudita por mais de 183 dias no ano pode ser considerado não-residente fiscal no Brasil. Isso afeta diretamente a forma como a Receita Federal trata os rendimentos obtidos no exterior. Sem o planejamento correto, o atleta pode ser tributado nos dois países — Brasil e Arábia Saudita — sobre os mesmos rendimentos.

Remessas internacionais: Transferir dinheiro da Arábia Saudita para o Brasil envolve conversão cambial, IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e declaração obrigatória ao Banco Central quando os valores ultrapassam determinados limites. Um gestor de patrimônio experiente pode estruturar essas remessas de forma a minimizar perdas.

Investimentos mal direcionados: Histórias de atletas que perderam fortunas após o fim da carreira são recorrentes no futebol brasileiro. A combinação de renda repentina, ausência de educação financeira e assessores despreparados resultou em falências de ex-jogadores que chegaram a ganhar valores que hoje somaria dezenas de milhões de reais.

O que um gestor de patrimônio faz por um atleta profissional

Um gestor de patrimônio especializado em esportistas de elite — ou em qualquer profissional com renda variável e ciclo de carreira curto — realiza um trabalho que vai além de escolher investimentos.

Ele estrutura o chamado planejamento patrimonial, que inclui:

  • Proteção de ativos: diversificação em diferentes classes de investimento (imóveis, renda fixa, renda variável, fundos no exterior)
  • Planejamento sucessório: garantir que a família do atleta esteja protegida em caso de invalidez ou morte prematura
  • Previdência privada: criar uma reserva que sustente o padrão de vida após a aposentadoria — que no futebol pode chegar aos 35 anos
  • Holding familiar: em alguns casos, constituir uma pessoa jurídica para receber e administrar os rendimentos, reduzindo a carga tributária de forma legal

Para quem recebe salários em moeda estrangeira, o gestor de patrimônio também orienta sobre hedge cambial — proteção contra oscilações do real em relação ao euro, dólar ou riyal saudita.

Jovens atletas e a vulnerabilidade financeira

O problema não é exclusivo dos grandes nomes. Centenas de jogadores brasileiros jogam nas divisões inferiores das ligas europeias e árabes recebendo salários que, convertidos em reais, são expressivos, mas longe dos milhões dos astros.

Para esses atletas, a tentação de gastar rapidamente sem estruturar um plano financeiro é ainda maior. A falta de contratos longos, a incerteza sobre o próximo clube e a pressão familiar tornam a gestão patrimonial especialmente crítica.

Segundo o Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF), mais de 70% dos atletas profissionais brasileiros não possuem qualquer tipo de planejamento financeiro estruturado durante a carreira. É um número alarmante para uma categoria que frequentemente atinge o pico de renda antes dos 30 anos.

Como funciona uma consultoria de gestão patrimonial

A consulta com um gestor de patrimônio é mais acessível do que muitos imaginam. Plataformas digitais permitiram que esse serviço — antes reservado a grandes fortunas — chegasse a profissionais com patrimônio a partir de R$ 100.000.

Uma primeira consulta típica abrange:

  1. Diagnóstico financeiro: levantamento de todos os ativos, passivos, receitas e despesas
  2. Definição de objetivos: quando quer se aposentar, que estilo de vida deseja manter, quais são as obrigações familiares
  3. Estratégia de alocação: como distribuir os recursos entre diferentes classes de ativos
  4. Plano tributário: como estruturar rendimentos e investimentos para minimizar impostos dentro da lei
  5. Revisão periódica: o plano é revisado a cada 6 ou 12 meses conforme mudam as condições do mercado e da vida do cliente

Quando o futebol saudita vira notícia, o dinheiro importa

O interesse dos brasileiros na Saudi Pro League — seja pelo Al-Ittihad, Al-Taawoun, Al-Hilal ou qualquer outro clube — traz consigo uma discussão importante que vai além das tabelas de classificação.

A riqueza gerada pelo futebol saudita é uma oportunidade única de transformação de vida para jogadores e suas famílias. Mas sem planejamento, pode ser apenas um salário alto que desaparece tão rápido quanto chegou.

Se você — atleta, profissional liberal, empresário ou investidor — recebe rendimentos expressivos e ainda não tem um plano patrimonial estruturado, consultar um especialista em gestão de patrimônio é o primeiro passo para garantir que o dinheiro trabalhe por você, e não o contrário.

Segundo o Banco Central do Brasil, toda pessoa física residente no Brasil que mantenha ativos no exterior superiores a USD 1 milhão é obrigada a declarar esses valores anualmente — e receber orientação especializada evita penalidades que podem chegar a 1,5% do total não declarado.

Aviso: Este artigo tem caráter informativo. Para decisões de planejamento financeiro, tributário e patrimonial, consulte um especialista certificado.

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