Afogamentos batem recorde em 2026: o que fazer nos primeiros minutos antes da ambulância chegar

Salva-vidas realizando RCP em vítima de afogamento na praia
4 min de leitura 13 de abril de 2026

O Brasil registrou mais de 46 mortes por afogamento só no litoral de São Paulo nos primeiros dois meses de 2026, segundo dados do Corpo de Bombeiros — e a maioria ocorreu em praias sem guarda-vidas. Com o calor persistindo e as férias de abril em curso, saber o que fazer nos primeiros minutos após um afogamento pode ser a diferença entre a vida e a morte.

Por que os afogamentos aumentam nesta época

O calor do final de verão e início do outono no Brasil ainda leva milhares de famílias às praias, rios e cachoeiras. Em Santa Catarina, os Bombeiros registraram 60 óbitos na estação verão 2025/2026 — sendo que 93,3% ocorreram em locais sem cobertura de guarda-vidas, de acordo com os dados do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina.

O Ministério da Saúde alertou em março de 2026 para o aumento de óbitos por afogamento no país. De 2010 a 2023, foram 71.663 mortes por afogamento registradas no Brasil, com destaque para crianças de 1 a 4 anos, que representam 8,2% dos casos — e 51% das hospitalizações infantis por afogamento. O número é preocupante: o afogamento é a principal causa de morte acidental em crianças menores de 5 anos no país.

A corrente de retorno nas praias, além das enxurradas em rios e cachoeiras, segue sendo a principal armadilha para banhistas, segundo os especialistas do Corpo de Bombeiros.

O que fazer nos primeiros minutos: protocolo de emergência

Quando alguém é retirado da água inconsciente, cada segundo conta. O protocolo recomendado por médicos e socorristas é claro:

1. Retire a vítima da água com segurança. Nunca se jogue ao mar para salvar alguém sem treinamento — você pode se tornar a segunda vítima. Busque flutuadores, cordas ou acione o guarda-vidas imediatamente.

2. Ligue para o SAMU (192) ou Bombeiros (193) imediatamente. Faça isso antes de qualquer outra ação, para que os profissionais guiem você pelo telefone.

3. Verifique a consciência e a respiração. Coloque a vítima em superfície plana. Incline a cabeça para trás, eleve o queixo e observe se o tórax se eleva.

4. Se a vítima não respira: inicie a RCP. Realize 30 compressões torácicas (no centro do peito, com força e ritmo de 100 por minuto), seguidas de 2 ventilações. Repita até a chegada do socorro.

5. Posição lateral de segurança (se respirar). Caso a vítima respire mas esteja inconsciente, vire-a de lado para evitar engasgo com vômito.

O que não fazer: não sacudir a vítima, não tentar "retirar a água dos pulmões" virando-a de cabeça para baixo — esse procedimento é desaconselhado pela medicina moderna e pode causar lesões. Não espere ela "acordar sozinha" se estiver inconsciente.

A diferença que um médico pode fazer depois

Mesmo que a vítima pareça bem após o incidente, o síndrome do afogamento secundário é um risco real: o líquido que entra nos pulmões pode causar insuficiência respiratória horas depois, mesmo quando a pessoa estava consciente ao sair da água.

Segundo o Ministério da Saúde, qualquer pessoa que tenha sofrido afogamento — mesmo que "leve" — deve ser avaliada por um médico nas 24 horas seguintes. Sintomas como tosse persistente, falta de ar, confusão mental ou cansaço extremo após um episódio aquático exigem atendimento imediato.

Um clínico geral ou médico de emergência pode solicitar exames para verificar se houve comprometimento pulmonar, e em casos de crianças, a avaliação é ainda mais urgente dado o risco aumentado de sequelas.

Prevenção: o que médicos e especialistas recomendam

O Dia Mundial de Prevenção do Afogamento, celebrado em 25 de julho pela OMS, reforça anualmente as principais medidas de proteção:

  • Supervisão constante de crianças perto de qualquer corpo d'água — piscinas, banheiras, baldes e até vasos de jardim representam risco para menores de 4 anos
  • Instalar cercas e barreiras ao redor de piscinas residenciais
  • Aprender a nadar e ensinar as crianças desde cedo
  • Respeitar as bandeiras e sinalizações nas praias
  • Evitar nadar em locais sem guarda-vidas, especialmente em praias abertas e rios com correnteza

Para famílias que frequentam praias e piscinas, consultar um médico sobre treinamento em primeiros socorros básicos — incluindo RCP — pode literalmente salvar uma vida. O investimento em uma consulta pode preparar toda a família para uma emergência que, no Brasil, ocorre com frequência alarmante.

Quando consultar um especialista

Se você ou alguém da sua família passou por um susto na água — mesmo sem perda de consciência — a avaliação médica é indispensável. O risco de afogamento secundário torna obrigatória uma consulta nas horas seguintes.

Médicos especializados em medicina de emergência e clínica geral estão preparados para avaliar sequelas de afogamento, indicar exames específicos e orientar a família sobre como evitar novos episódios. Confira também nosso artigo sobre como agir em emergências causadas por picadas de escorpião no Brasil em 2026, outra situação que exige ação rápida antes da chegada do socorro.

Na Expert Zoom, você encontra médicos disponíveis para consultas online e presenciais para tirar dúvidas sobre primeiros socorros, prevenção de acidentes e saúde da família.

Aviso importante: Este artigo tem caráter informativo e não substitui orientação médica profissional. Em caso de emergência, ligue imediatamente para o SAMU (192) ou Bombeiros (193).

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