Adria Arjona, atriz conhecida por "Andor", "Hit Man" e "The Gray Man", está entre as finalistas para interpretar Maxima na sequência de "Superman", dirigida por James Gunn e com estreia prevista para julho de 2027. As gravações começam em Atlanta no final de abril de 2026. Ao lado dela, competem pela vaga Grace Van Patten, Sydney Chandler e Eva De Dominici. Uma vaga. Quatro atrizes altamente qualificadas. Uma decisão que pode mudar completamente uma carreira. O que esse processo revela sobre a saúde mental de quem vive sob pressão extrema — e o que todos nós podemos aprender com isso?
Quando o talento não é suficiente para garantir o papel
Adria Arjona tem 34 anos, trabalhou com nomes como Ryan Gosling, Chris Evans e agora está na órbita do universo DC. Seu nome é o mais citado pelos veículos especializados como favorito para o papel de Maxima — personagem que é uma rainha alienígena e possível interesse amoroso de Superman.
Mas mesmo sendo favorita, ela não tem o papel garantido. Ela precisou passar por testes, audições e avaliações perante o estúdio Warner Bros e a equipe de James Gunn. Para qualquer ator, esse processo é um misto de exposição total e incerteza absoluta.
O setor de entretenimento de Hollywood é amplamente reconhecido como um dos ambientes de trabalho com maior impacto sobre a saúde mental de profissionais. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a saúde mental no ambiente de trabalho é um tema prioritário e ambientes de alta competitividade, exposição pública e julgamento constante estão entre os principais fatores de risco para ansiedade e depressão.
A pressão de ser avaliado — todo dia
O processo vivido por Adria Arjona não é muito diferente do que muitas pessoas enfrentam em suas carreiras: entrevistas de emprego, processos seletivos, avaliações de desempenho, concursos públicos, vestibulares. A pressão de ser julgado, de não controlar o resultado, de saber que o esforço pode não ser suficiente — esse sentimento é universal.
O que muda em Hollywood é a escala: o julgamento é público, o prêmio é visível para milhões de pessoas, e a rejeição fica registrada nos portais de entretenimento para sempre. Mas os mecanismos psicológicos envolvidos são os mesmos.
Pesquisas em psicologia ocupacional mostram que a sensação de falta de controle sobre resultados — mesmo quando o desempenho individual é alto — é um dos gatilhos mais consistentes para o desenvolvimento de ansiedade crônica. A síndrome de burnout, o perfeccionismo paralisante e a síndrome do impostor são respostas comuns nesses contextos.
Síndrome do impostor: quando o sucesso não parece real
Uma das condições mais comuns entre profissionais de alto desempenho — da atriz ao médico, do advogado ao CEO — é a síndrome do impostor. Ela se manifesta como a sensação persistente de que o sucesso é inmerecido, de que a qualquer momento alguém vai "descobrir" que você não é tão competente quanto parece.
Curiosamente, quanto mais alto o nível de desempenho, mais comum o fenômeno. Estudos publicados no International Journal of Behavioral Science estimam que até 70% das pessoas experimentam sentimentos relacionados à síndrome do impostor em algum momento da vida.
Para uma atriz no topo da carreira, disputando o papel de vilã em um dos filmes mais aguardados do próximo ano, imaginar que "não sou boa o suficiente" pode parecer absurdo de fora — mas é completamente real por dentro.
O que um psicólogo pode fazer nesses momentos
A psicologia clínica e, especialmente, a psicoterapia cognitivo-comportamental (TCC) têm ferramentas muito eficazes para trabalhar a saúde mental em contextos de alta pressão. Um psicólogo especializado pode ajudar a:
- Identificar padrões de pensamento disfuncionais — como a catastrofização ("se eu não conseguir esse papel, minha carreira acabou") e a leitura mental ("o diretor certamente não gostou da minha audição")
- Desenvolver tolerância à incerteza — aprender a agir com excelência mesmo sem controlar o resultado é uma das habilidades mais valiosas que existe
- Criar rituais de regulação emocional — técnicas de aterramento, respiração e mindfulness que ajudam a manter o equilíbrio antes de situações de alta exposição
- Processar a rejeição de forma saudável — diferenciando o julgamento profissional da identidade pessoal
No Brasil, o acesso à saúde mental ainda é um desafio. Segundo o Conselho Federal de Psicologia, o país tem mais de 400 mil psicólogos registrados — o maior número do mundo — mas a distribuição é desigual, com concentração nas regiões Sul e Sudeste e nas capitais.
Hollywood como espelho do mercado de trabalho brasileiro
Pode parecer distante a realidade de Adria Arjona para quem trabalha no Brasil. Mas os desafios são surpreendentemente similares:
- O estagiário que aguarda o resultado de um processo seletivo longo e competitivo sente a mesma incerteza
- O médico residente que está sendo avaliado durante a residência sente a mesma pressão de desempenho público
- O empreendedor que lançou um produto e aguarda o mercado responder sente o mesmo medo de rejeição
- O candidato a concurso público que estuda por anos e enfrenta dezenas de classificados à sua frente sente a mesma vulnerabilidade
Em todos esses casos, cuidar da saúde mental não é um luxo — é uma estratégia profissional inteligente. Não por acaso, artistas como Luisa Sonza já abriram o jogo sobre burnout e medo de sair de casa — mostrando que a pressão do sucesso atinge profissionais de diversas áreas do entretenimento.
Quando buscar ajuda psicológica?
Alguns sinais indicam que pode ser o momento de procurar um psicólogo:
- Ansiedade persistente que impede o sono ou a concentração
- Sensação de paralisia diante de decisões importantes
- Perfeccionismo que impede a entrega (porque "nunca está bom o suficiente")
- Medo intenso de julgamento ou rejeição em contexto profissional
- Irritabilidade, esgotamento emocional ou perda de motivação
Na Expert Zoom, você encontra psicólogos especializados em saúde mental no trabalho, ansiedade de desempenho e desenvolvimento profissional. Seja você um artista, um executivo ou alguém que simplesmente quer performar melhor sob pressão — há um especialista pronto para ajudar.
Adria Arjona pode ou não conseguir o papel de Maxima. Mas independentemente do resultado, saber lidar com a pressão do processo é o que define uma carreira longa — e uma vida mental saudável.
Aviso: Este artigo tem caráter informativo e educacional. Em caso de sofrimento psicológico intenso, procure ajuda de um profissional de saúde mental qualificado.

Gabriel Alves