FC Tulsa e os brasileiros da USL: o que os jogadores precisam saber sobre contratos e vistos nos EUA

Jogador de futebol profissional assinando contrato em escritório esportivo nos Estados Unidos
Joao Joao SouzaAdvocacia
4 min de leitura 23 de maio de 2026

FC Tulsa, clube da USL Championship — segunda divisão do futebol americano —, soma ao menos três jogadores brasileiros em seu elenco de 2026: o zagueiro Ian Carlos Souza Daniel, o meia Bruno Lapa (contratado em janeiro de 2026) e o volante Marcos Serrato. Natural de Curitiba, Lapa chega ao clube após duas temporadas sendo eleito para o time ideal da USL Championship. O crescimento de brasileiros em ligas secundárias norte-americanas abre uma questão prática: quais são os direitos e obrigações jurídicas desses atletas ao atuar fora do Brasil?

Por que brasileiros vão para ligas secundárias dos EUA

A USL Championship não é a MLS (Major League Soccer), mas representa um passo estratégico para jogadores em desenvolvimento ou que buscam manter a carreira no exterior. O salário médio na divisão gira em torno de US$ 30 mil anuais — abaixo da média europeia, mas suficiente para consolidar experiência internacional que pode abrir portas para contratos maiores.

Para jogadores como Bruno Lapa, com histórico de alto nível na divisão e reconhecimento como um dos melhores meias da categoria, o FC Tulsa representa uma vitrine. O caminho de Curitiba a Tulsa (Oklahoma) passou por documentação consular, visto esportivo nos Estados Unidos e negociação contratual em inglês — assim como outros talentos brasileiros que foram parar na Europa, como no caso de Kaio Jorge, cobiçado por €50 milhões — um conjunto de processos que poucos atletas brasileiros enfrentam com a devida assessoria jurídica.

O visto P-1: o passaporte jurídico do atleta profissional nos EUA

Para atuar legalmente em ligas profissionais norte-americanas, o atleta estrangeiro precisa de um visto específico. No caso de jogadores de futebol em ligas reconhecidas como a USL Championship, o visto mais comum é o P-1A, destinado a atletas de reconhecimento internacional, emitido pela USCIS (Serviço de Imigração e Cidadania dos EUA).

Para obter o P-1A, o atleta precisa demonstrar que já participou de competições internacionais de alto nível ou que tem reconhecimento na área. A documentação inclui:

  • Comprovação de participação em torneios internacionais ou nacionais de expressão
  • Contrato com o clube norte-americano
  • Certificação da liga ou federação (USSF — United States Soccer Federation)
  • Cartas de suporte de treinadores, dirigentes ou mídia esportiva

O processo pode levar de 2 a 4 meses, e atrasos no visto podem comprometer o início de temporada — algo que ocorre com mais frequência do que os clubes admitem publicamente.

Contratos no futebol americano: o que o jogador brasileiro precisa saber

Contratos na USL Championship seguem as regras do Acordo Coletivo da liga, negociado com a associação de jogadores. Diferentemente do modelo brasileiro, onde a Lei Pelé e a CLT protegem direitos básicos, o sistema americano tem suas próprias particularidades:

  • Salário mínimo garantido pela liga, mas com teto de desconto por lesão dependendo do contrato
  • Cláusulas de liberação temporária para seleções nacionais — se não prevista, o jogador pode ser impedido de representar o Brasil em amistosos
  • Direitos de imagem geralmente cedidos ao clube para uso na liga, salvo negociação expressa
  • Rescisão: diferentemente do Brasil, onde há multas rescisórias, contratos americanos podem ter cláusulas de corte (waiver) sem indenização substancial

Assinar um contrato em inglês sem tradução jurídica certificada expõe o atleta a mal-entendidos que podem custar meses de salário ou impedir uma transferência futura.

O risco da dupla tributação

Um ponto pouco discutido: jogadores brasileiros trabalhando nos EUA podem ser tributados nos dois países se não houver planejamento adequado. O Brasil tributa rendimentos mundiais de seus residentes fiscais, enquanto os EUA tributam renda gerada em território americano por estrangeiros.

Sem um contrato de trabalho corretamente estruturado — ou sem a consulta a um contador especializado em fiscalidade internacional —, o atleta pode acabar pagando imposto de renda em duplicidade. O Brasil e os Estados Unidos têm tratado para evitar dupla tributação em alguns setores, mas as regras para atletas têm especificidades que exigem análise caso a caso.

Quando o jogador precisa de assessoria jurídica

A trajetória de Bruno Lapa — de Curitiba à USL Championship — é uma inspiração para centenas de atletas brasileiros que sonham em jogar no exterior. Mas cada etapa desse caminho tem implicações legais que um jovem jogador raramente está preparado para enfrentar sozinho.

Um advogado especializado em direito esportivo internacional pode:

  1. Revisar o contrato antes da assinatura e negociar cláusulas mais favoráveis
  2. Orientar sobre o visto P-1 e a documentação necessária para cada caso
  3. Incluir cláusulas de seleção nacional para garantir liberação em datas FIFA
  4. Estruturar proteção de direitos de imagem para uso além do clube
  5. Coordenar o planejamento tributário com profissionais habilitados nos dois países

O futebol americano cresce como destino para talentos brasileiros. FC Tulsa, com sua aposta em nomes como Bruno Lapa, representa uma tendência que exige mais preparo jurídico do lado do atleta — não apenas técnico dentro de campo.


Atenção: Este artigo tem caráter informativo. Para situações jurídicas específicas envolvendo contratos internacionais ou vistos de trabalho esportivo, consulte um advogado especializado em direito esportivo internacional habilitado pela OAB.

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